MT reduz casos de meningite em 41%

Procura por vacinas contra a meningite aumenta após a morte do neto do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o pequeno Arthur Araújo Lula da Silva, 7, na última semana. Apesar da gravidade da doença, que tem rápida evolução podendo levar a morte, dados do Ministério da Saúde apontam a redução nos registros no Estado.

Em cinco anos os casos caíram 41%, passando de 251 registros em 2013 para 146 em 2018. Em relação a 2017, também houve queda de 28% nos casos que somaram 205 naquele ano. No Estado, os registros são maiores na faixa etária que vai de 0 a 9 anos. Foram 63 casos no ano passado. Dos 20 ao 59 anos também há um alerta, com 52 em 2018.

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por diversos agentes infecciosos, ou também por processos não infecciosos como, por exemplo, medicamentos e câncer.

Há diversos tipos de meningites, que podem ser causadas por fungos, vírus ou bactérias. Dentre as bacterianas, que são as principais, causadas por meningococo, estão catalogadas as de tipo A, C, B, W e Y. A meningocócica C é a mais comum entre as meningites bacterianas no Brasil, seguida pela B. A que foi responsável pela morte do neto de Lula foi classificada como bacteriana meningocócica. Mas, apesar disso, ainda não foi divulgada com qual sorogrupo a criança foi contaminada.

A infectologista Zamara Brandão explica que existem 12 sorogrupos da meningocócica e que junto com a pneumocócica, são consideradas uma das formas mais graves e preocupantes da doença. No Sistema Único de Saúde, apenas a vacina meningocócica C (conjugada) faz parte do Calendário Nacional de Vacinação, sendo administrada aos 3 meses e aos 5 meses, com reforço aos 12 meses.

Para crianças que não receberam o reforço aos 12 meses, a vacina poderá ser administrada até os 4 anos de idade. Já existem vacinas contra os sorogrupos A, B, C, Y e W, os mais prevalecentes no país, conhecidas como meningocócicas conjugada ACWY e meningocócica B, e só estão disponíveis na rede particular, chegando a custar R$ 750 a dose.

No ano passado houve um problema de distribuição da meningocócica que atingiu Mato Grosso. Segundo o MS, o problema foi solucionado e a imunizaçao está garantida. Em Mato Grosso, a média mensal gira em torno de 31 mil doses necessárias, segunda Secretaria de Estado de Saúde.

Preocupação 

Mãe da pequena Mariana, que vai completar 3 meses na próxima semana, Jaqueline Barreto, 32, afirma que está preocupada com a filha que deve tomar a primeira dose da vacina esse mês. “Eu fiquei preocupadíssima. Agora não vejo a hora de chegar a data que ela faz 3 meses para amanhecer no postinho”.

Danielle Teixeira, 30, já deu as duas doses para a filha Laura de 6 meses, na rede pública, mas afirma que após as notícias tem pensado em dar as outras que a rede particular oferece. Segundo ela, apesar dos valores, que variam de R$ 600 a R$ 750 nas clínicas, a saúde da filha está em primeiro lugar. “Vou me esforçar para conseguir vaciná-la. Fiquei super preocupada agora”.

A infectologista Zamara Brandão explica que a vacinação, apesar de nao garantir 100% de imunidade contra a doença, é ainda a forma mais eficaz de prevenção. Segundo ela, caso a criança ou pessoa entre em contato com a bactéria ou agente transmissor, e esteja vacinada, o organismo deve responder de forma satisfatória.

“Ou a pessoa nao vai apresentar nenhum sintoma, ou pode até mesmo apresentar sintomas de uma gripe, mas nada tão sério que deixe sequelas”. Por isso, de acordo com ela, é importante manter o calendário vacinal em dia e aqueles que puderem pagar pelas vacinas que são disponibilizadas na rede particular.

No caso do pequeno Arthur, a infectologista afirma que nao foi divulgado ainda qual foi o tipo da bactéria, mas que provavelmente tenha sido uma a qual ele não estava imunizado. Em meio as especulações e o medo, a infectologista afirma que além da vacinação, outro meio de tentar evitar o contato com os transmissores é manter sempre os locais bem ventilados, evitar aglomeraçoes e lavar as maos antes de tocar na boca, nariz e olhos.

Atençao também aos principais sintomas da doença que sao febre, dor de cabeça, dor na nuca, confusao mental, vômitos, mal estar e sensibilidade a luz e ruídos. O quanto antes diagnosticada, maiores sao as chances de uma evolução para cura, sem nenhum tipo de sequelas, já que a doença pode ter como consequencias problemas mentais e motores.

Brasil 

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2018, foram registradas 1.072 ocorrências de doença meningocócica no Brasil e 218 mortes. Em 2017, no mesmo período, foram 1.138 casos e 266 mortes. Segundo o MS, todas as faixas etárias podem ser acometidas pela doença, porém o maior risco de adoecimento está entre as crianças menores de 5 anos, especialmente as menores de 1 ano de idade.

 

 

Fonte Gazeta digital

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